quinta-feira, 19 de abril de 2012

ALONGAR ou ESPREGUIÇAR?





 Como resultado de um longo reinado da musculação começaram a aparecer lesões . Tendinites, distensões musculares, dores articulares fizeram a festa. A solução encontrada foi o alongamento. O músculo alongado é mais eficiente na contração e protegeria as articulações. Mas não é isso que aconteceu! Surgiram novas lesões por excesso de alongamento ou por movimentos inadequados. Todos conhecemos alguém que se machucou na aula de alongamento. O quadro piorou com a ajudinha de outra pessoa para alongar que por sua vez ultrapassa os limites funcionais- o “alongador” não sente dor. Cria-se instabilidade articular, mais distensões e o caminho está aberto para lesões crônicas. 
Os músculos se alongam normalmente na vida diária. Ao movimentar-nos uns grupos musculares encurtam enquanto os opostos se alongam, permitindo o movimento. O alongamento mais comum e saudável é o espreguiçar que respeita os limites naturais (anatômicos e fisiológicos) de cada indivíduo. É a melhor forma de preparar o corpo para o movimento após algum tempo de inatividade. Uma espreguiçada suave ativa a circulação, favorecendo os tecidos que vão ser utilizados com melhor nutrição e remoção de resíduos. Equilibra a tensão muscular (tônus) e alonga as fibras musculares permitindo uma contração mais eficiente.  
Ao ultrapassar os limites provocamos lesões nas estruturas que estabilizam as articulações (ligamentos) e no próprio músculo. Muitas vezes essas lesões demoram meses para melhorar. Como saber o limite?
O alongamento não deve doer.  Dor é um mecanismo de proteção do nosso corpo. Ele avisa que temos algum agressor atuando. Dor é o corpo gritando para parar ou fugir antes da lesão acontecer.  Dor é sinal que ultrapassamos o limite e provocaremos lesão
A quantidade de alongamento é individual. Cada pessoa tem suas características, uns mais flexíveis, outros mais rígidos. Alguns precisam inibir certos alongamentos, outros estimulá-los, sempre de forma suave e continua.
O alongamento é pessoal. Ser alongado por outra pessoa é correr o risco de ultrapassar o limite. Geralmente o “alongador” começa a atuar quando se chega ao limite fisiológico do indivíduo. A resposta é dor. E lesão.